Para qué sirve este blog


Converger, difundir, facilitar el acceso a información, recopilar, generar redes…. Thiago Dias Sarti desde Espirito Santo, Brasil, nos escribió un mail solicitándonos más información sobre diagnóstico comunitario. Le enviamos información de algunas de las cositas que han ido saliendo en el blog y nos envió este texto para contarnos la situación de la Atención Primaria y la Salud Comunitaria en su zona. Un lujo poder establecer (hiper) vínculos entre un lado y otro

No Brasil, o principal modelo de Atenção Primária à Saúde (APS) é a Estratégia Saúde da Família (ESF), criada em 1994 pelo Ministério da Saúde, sendo desde então o modelo oficial do estado brasileiro para organização de seu sistema público de saúde.
Como características essenciais deste modelo de organização da APS, temos, para além das características enunciadas por Starfield, a adstrição de clientela (cada equipe de saúde torna-se responsável por uma população geograficamente circunscrita de no máximo 1000 famílias); territorialização; diagnóstico da situação de saúde da população; planejamento das ações baseado na realidade local; e o trabalho em equipe multidisciplinar, incluindo o agente comunitário de saúde (profissional de ensino médio residente no território adstrito a sua equipe).
É neste contexto que exerço minhas atividades, como Médico de Família e Comunidade e professor do curso de medicina da Universidade Federal do Espírito Santo – Brasil. Atualmente, temos trabalhado com três temáticas: saúde mental; doenças cardiovasculares e seus fatores de risco; e sexualidade na adolescência. Priorizamos estes problemas a partir de um diagnóstico composto por: diagnóstico comunitário situacional feito pelas equipes de saúde de uma região administrativa do município de Vitória; avaliação dos serviços feita no âmbito dos conselhos gestores locais (conselhos formados por gestores, profissionais e população em cada serviço de saúde); e avaliações e diagnósticos realizados em instâncias gestoras do município envolvendo gestores, estudantes e profissionais dos serviços e da universidade.
Estamos em uma fase inicial de diagnóstico específico nas três temáticas citadas. Temos feito estimativas rápidas, diagnósticos de demanda e levantamento de informações através de inquéritos domiciliares e revisão de prontuários. Com relação aos adolescentes, já estamos em uma fase de intervenção junto às escolas, realizando atividades de grupo priorizando questões vinculadas à sexualidade e violência, contando com a intensa participação de estudantes de medicina, enfermagem, odontologia e farmácia. Temos aproximadamente um ano de trabalho nesta perspectiva.
Boa parte desta iniciativa tem como meta uma melhor organização dos serviços de APS da região, bem como uma maior aproximação entre comunidade e serviço. Isto parte da percepção de que, apesar do forte discurso presente no modelo ESF de adaptar as ações do serviço à realidade social e epidemiológica da população local e promover a cidadania, a promoção da saúde, a autonomia para o auto-cuidado e a participação popular / controle social, ainda estamos longe de alcançarmos tais objetivos.
Infelizmente, ainda carecemos de conhecimento suficiente para subsidiar o trabalho dos profissionais na comunidade. Nossas ações são excessivamente centradas na biomedicina. Diagnósticos clínicos e intervenções propedêuticas e medicamentosas predominam no arsenal dos profissionais de saúde frente aos problemas da comunidade. E quando são realizadas atividades coletivas envolvendo a comunidade, geralmente carecem de planejamento e são norteadas por um higienismo desmedido, normatizando a vida e medicalizando a atenção. Os motivos alegados são sobrecarga de trabalho, consumindo todo o tempo que poderia ser dedicado a ações comunitárias de promoção e prevenção em saúde. Contudo, há também uma desvalorização destas ações, bem como um desconhecimento da saúde comunitária.
Por esses motivos, tentamos nos apropriar dos conhecimentos da saúde comunitária. E este blog tem sido de grande ajuda neste intento, por tecer discussões seminais e disponibilizar bibliografia e contribuições que podem ser de grande serventia para aqueles que querem fazer algo diferente em seus serviços e comunidades.
Em nosso país, a partir da década de 70 do século passado, intelectuais da saúde pública passaram a discutir os entraves de nosso sistema de saúde (orientado para o mercado, hospitalocêntrico, caro e pouco efetivo), buscando modificá-lo com base em princípios democratizantes e alinhados com o bem-estar social. Este movimento, denominado saúde coletiva, desvelou os aspectos ideológicos presentes em diversos ideários oriundos dos países desenvolvidos, como a medicina familiar, a medicina comunitária e a medicina preventiva, tecendo profundas críticas aos mesmos. Desde então, sérias desconfianças são lançadas a qualquer iniciativa de reorganização do modelo de assistência à saúde com base na comunidade e no trabalho coletivo. Modificar este panorama talvez seja uma de nossas principais tarefas.

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